Então, né, a Júlia e o Igor, amigo dela, dizem que sou louca, mas, depois que finalmente vi o Crepúsculo no vídeo, sabe que eu gostei muito mais do filme?
Claro que pode ser porque eu não gostei muito do livro, então fica fácil, ri ri ri.
Mas a verdade é que eu achei que foi um filme bonito, com boa trilha, bem feito, que valorizou o clima da história e, principalmente, a personagem principal.
Nos livros, eu achei a Bella uma chatinha, reclamona e sem graça, como ela mesma se acha, talvez, já que é a narradora principal.
No filme, a diretora a fez interessante, muito bonita e diferente das outras meninas, como provavelmente seria uma garota que despertaria tal paixão num cara como o cansativamente perfeito Edward.
No mesmo fim de semana em que vi o filme, terminei o Amanhecer. Talvez sob influência do filme, talvez porque o livro seja melhorzinho mesmo do que os outros, eu até gostei.
O que me irritou mesmo foi aquela pataquada de que ser vampiro é o máximo, porque a pessoa fica muito mais ágil, forte, bonita, sensível e capaz de tudo o que quiser.
Vamos combinar, né? Desde que o mundo é mundo e essa lenda apareceu, ser vampiro é uma das piores maldições que poderia sofrer um personagem qualquer!
É de matar essa autora ser tão tomântica que nem se preocupa mais em levar isso em consideração.
Mas ok, ela até que resolve bem alguns conflitos, explica as coisas, ficou legal.
Lógico que não é uma leitura tão emocionante quanto um Harry Potter, por exemplo. Quero dizer, mesmo que ela crie um momento de clímax bem tenso, com um monte de vampiros ambiciosos e inescrupulosos ameaçando acabar com todos os sanguessugas do bem, a gente sabe que não vai morrer nenhum personagem importante, que tudo vai acabar cor-de-rosinha.
De fato, ali o felizes-para-sempre é pra sempre mesmo, já que todos são imortais.
A gente saca desde o começo que a autora não vai comprometer a felicidade do seu público principal - as meninas românticas - e não vai matar nenhum galã ou mocinha. Aliás, nem um amigo ou parente próximo deles.
Não é como ler Harry Potter e as Relíquias da Morte, por exemplo, em que desde o comecinho você fica tenso porque sabe que a autora pode fazer o maior massacre e matar um bocado de personagens queridos.
Até o Harry Potter ela era capaz de matar. Eu nunca achei que de fato o fizesse, mas que ela era capaz, isso acho que era. E ficaria bem coerente com a história, caso fosse o único jeito de acabar com o Voldemort.
Enfim, no fundo, quando eu comecei a ler o Crepúsculo, tinha uma vaga esperança de encontrar outra história tão boa e empolgante quanto a do Harry Potter.
Doce ilusão!
Mas deu pra distrair, trouxe alguma diversão e, no final das contas, já não acho tão ruim quanto achei no começo.
Ainda não acho fantástico, como os meninos todos por aí - e as meninas, principalmente -, mas achei divertido.
Agora, o que eu queria mesmo era que aparecesse outro harry potter pra prender a gente por alguns anos, uma história - fantasiosa ou não, não importa - que fizesse a gente esperar pelo próximo volume, que criasse essa comoçãozinha a cada novidade, que tomasse muitas horas de debates e especulações entre os grupos mais variados...
Ando sonhando com algo assim. De preferência pra ler, claro, mas se fosse outra série de tv, por exemplo, tão cativante quanto Friends, eu também não ia achar ruim.
Pra não ser estraga-prazer!
No começo, eu evitava falar das tramas dos filmes, livros e séries que comento aqui, mas isso limita muito e, com o tempo, dei mais liberdade às minhas postagens.
Porém, como eu não gosto que me contem as histórias, como eu adoro as surpresas que os criadores geralmente nos preparam com tanto esforço, não quero estragar o prazer de ninguém.
Se você é como eu, melhor ler ou ver antes. Mas convido-o a voltar depois, pra saber o que eu achei.
Sábado, 18 de Julho de 2009
Terça-feira, 7 de Julho de 2009
Os Budapestes
Li Budapeste e assisti ao filme de mesmo nome.
Mesmo nome, mas não mesma origem. Recuso-me a associar.
Assim: gostei muito do livro! Minha impressão de Chico Buarque escritor não era nem de longe a mesma que tenho dele compositor.
Eu não tinha gostado do Estorvo, tinha achado forçado, pouco original.
Mas esse Budapeste foi uma surpresa boa. Tudo bem que eu nem sempre gosto dessas histórias contadas de modo vertiginoso. Também não são assim muito originais.
Mas nesse caso fluiu muito bem. E adorei o mote: apaixonar-se por um idioma. Pô, eu adoro essa coisa de aprender idiomas (embora ainda não tenha aprendido muitos... saber mesmo só sei o meu, e olhe lá...), então me identifiquei com esse lance meio maníaco do personagem.
Claro que não gostei muito de ele ser tão desapegado da mulher e do filho. Mas parece que a gente tende a relevar a canalhice de personagens de ficção, afinal.
De qualquer modo, achei uma leitura gostosa e fácil.
E o final é fantástico. O rolo todo do amor das mulheres dele pelas obras, não pelos autores: gostei muito!
Daí que, ingênua, fiquei toda animada pra ver o filme no cinema.
Santa ilusão!
Um dos piores filmes que já vi na vida.
O que é aquele ator, meu Deus!
De onde tiraram um cara tão ruim?
Aliás, só salva mesmo a húngara, talvez porque a gente não consiga saber o que ela diz.
O que é aquela direção?
Pra que aquelas cenas exageradas de sexo?
E a produção, a fotografia? O roteiro??
O cara não entendeu nada, impressionante!
Na boa, foi o maior desperdício! Pra mim que raramente tenho chance de ir ao cinema, só deu raiva!
Não sei como foi permitido que um filme ruim desse chegasse ao fim.
Mesmo nome, mas não mesma origem. Recuso-me a associar.
Assim: gostei muito do livro! Minha impressão de Chico Buarque escritor não era nem de longe a mesma que tenho dele compositor.
Eu não tinha gostado do Estorvo, tinha achado forçado, pouco original.
Mas esse Budapeste foi uma surpresa boa. Tudo bem que eu nem sempre gosto dessas histórias contadas de modo vertiginoso. Também não são assim muito originais.
Mas nesse caso fluiu muito bem. E adorei o mote: apaixonar-se por um idioma. Pô, eu adoro essa coisa de aprender idiomas (embora ainda não tenha aprendido muitos... saber mesmo só sei o meu, e olhe lá...), então me identifiquei com esse lance meio maníaco do personagem.
Claro que não gostei muito de ele ser tão desapegado da mulher e do filho. Mas parece que a gente tende a relevar a canalhice de personagens de ficção, afinal.
De qualquer modo, achei uma leitura gostosa e fácil.
E o final é fantástico. O rolo todo do amor das mulheres dele pelas obras, não pelos autores: gostei muito!
Daí que, ingênua, fiquei toda animada pra ver o filme no cinema.
Santa ilusão!
Um dos piores filmes que já vi na vida.
O que é aquele ator, meu Deus!
De onde tiraram um cara tão ruim?
Aliás, só salva mesmo a húngara, talvez porque a gente não consiga saber o que ela diz.
O que é aquela direção?
Pra que aquelas cenas exageradas de sexo?
E a produção, a fotografia? O roteiro??
O cara não entendeu nada, impressionante!
Na boa, foi o maior desperdício! Pra mim que raramente tenho chance de ir ao cinema, só deu raiva!
Não sei como foi permitido que um filme ruim desse chegasse ao fim.
Sábado, 6 de Junho de 2009
Presente

Ontem comprei A Menina da Sexta Lua pra dar de presente pra minha sobrinha, que fez 11 anos.Ela gosta de ler, e eu adoro dar livros pra meninada, então fui fuçar na sessão de livros "juvenis".
Tem um milhão de megs cabots, mas, justamente por isso, resisto. Não sinto muita credibilidade em uma autora que cria várias séries de vários livros cada uma, todos no mínimo superficiais, que, embora tenham o mérito de estimular a leitura nas meninas novas, não vão muito além dos conflitos de relacionamento de adolescentes e, como recém-lançado no Brasil, pré-adolescentes.
Lamento pelos fãs, mas tudo me parece um grande achado pra se encher de grana sem fazer muito esforço.
Por isso escolhi outra série.
Sei que também já está meio manjado esse negócio de escrever histórias em série com temas mágicos ou místicos, de aventuras com crianças ou adolescentes.
Embora o grande fenômeno do começo do século (a rigor, do final do século anterior) seja o Harry Potter, J. R. R. Tolkien e C. S. Lewis já tinham feito isso com maestria muito tempo antes.
Mas nesses casos, e aí incluo sim a Rowling, criou-se todo um mundo cheio de detalhes, leis, personagens, toda uma realidade fantástica que conquista porque existiu na mente dos seus criadores, mais rica até do que nos livros que chegaram a ser publicados.
Isso, com certeza, não é o que se vê nessas Megs Cabots da vida. E ainda não sei se é o caso da Nina, a Menina da Sexta Lua, mas pelo menos esta é uma história que leva à fantasia e pode despertar algum interesse pela história e por outras ciências, em vez de falar sobre popularidade na escola ou truques pra ter uma aparência padronizada.
Quando souber as impressões da Jujuba, venho aqui contar.
Na fila
Já tenho aqui vários livros na fila.
Tem Benjamin e Budapeste, do Chico Buarque, que a Dani me ofereceu e me emprestou depois deste post, e tem Breaking Dawn, que a Júlia já acabou.
Acho que vou de Chico primeiro, porque, por mais que não tenha achado o Estorvo tão bom, Chico Buarque há de ser melhor que Stephenie Meyer.
Outra razão é que 'tou com preguiça de ler em inglês. É vergonhoso, eu sei, e devia aproveitar esses livros assim bem faceizinhos pra treinar, mas ai... 'tou com tanta preguiça... Acho que pra eu me estimular tinha que ter muuuuita vontade de saber o que vai acontecer, como foi com As Relíquias da Morte do Harry Potter, o que, certamente, não é o caso.
Além disso, tenho muitas outras coisas na fila, esta de fazer: tem meu casaco de tricô pra terminar, porque finalmente resolvi encarar o tricô até aprender mesmo! Tem um xale de tricô pra fazer, com a linha Dance da Cisne, que comprei e é lindíssima. Tem um casaquinho de crochê que comecei a fazer pra Raquel há muitos meses, e que agora vai pra SEAE ou pra outro bebê, porque já nem vai mais caber nela. Tem uns dois ou três cachecóis que quero fazer com pontos de tricô que vi na Internet e 'tou doida pra testar...
Por isso tudo, não vou gastar o tempo do meu cérebro lendo em inglês um livro que nem é tão empolgante assim pra valer a pena a energia que posso gastar com qualquer uma dessas coisas!
Quando sair a tradução, eu encaro.
Tem Benjamin e Budapeste, do Chico Buarque, que a Dani me ofereceu e me emprestou depois deste post, e tem Breaking Dawn, que a Júlia já acabou.
Acho que vou de Chico primeiro, porque, por mais que não tenha achado o Estorvo tão bom, Chico Buarque há de ser melhor que Stephenie Meyer.
Outra razão é que 'tou com preguiça de ler em inglês. É vergonhoso, eu sei, e devia aproveitar esses livros assim bem faceizinhos pra treinar, mas ai... 'tou com tanta preguiça... Acho que pra eu me estimular tinha que ter muuuuita vontade de saber o que vai acontecer, como foi com As Relíquias da Morte do Harry Potter, o que, certamente, não é o caso.
Além disso, tenho muitas outras coisas na fila, esta de fazer: tem meu casaco de tricô pra terminar, porque finalmente resolvi encarar o tricô até aprender mesmo! Tem um xale de tricô pra fazer, com a linha Dance da Cisne, que comprei e é lindíssima. Tem um casaquinho de crochê que comecei a fazer pra Raquel há muitos meses, e que agora vai pra SEAE ou pra outro bebê, porque já nem vai mais caber nela. Tem uns dois ou três cachecóis que quero fazer com pontos de tricô que vi na Internet e 'tou doida pra testar...
Por isso tudo, não vou gastar o tempo do meu cérebro lendo em inglês um livro que nem é tão empolgante assim pra valer a pena a energia que posso gastar com qualquer uma dessas coisas!
Quando sair a tradução, eu encaro.
"Quando Nietzsche chorou"
Terminei Quando Nietzsche chorou.
Todo mundo falou tanto sobre esse livro, e o filme fez tanto sucesso, que fiquei curiosa. Embora, normalmente, eu seja meio reticente quanto a best-sellers. Mas gostei do livro.
Pelas informações históricas que aparecem no final, até que o autor criou um romance interessante, bem verossímel.
Claro que, pelo pouco que eu sei, nenhuma análise faria tanto efeito em um tempo tão curto, mas no contexto faz sentido e, de qualquer modo, serve ao fim a que se pretende o autor, se não me engano, que é criar uma possível história da invenção? descoberta? desenvolvimeno? da psicanálise.
É uma ciência que já existia e só esperava que alguém a organizasse ou foi mesmo criada? Meu conhecimento é muito pequeno pra me afundar nessas dúvidas, dá até preguiça!
De volta ao livro, só fiquei meio decepcionada com a presença do Freud na história. Talvez por causa da minha ignorância, eu achei que ele teria uma participação bem mais ativa na coisa toda... Enfim, um dia, talvez, eu estude mais sobre isso.
Deu vontade mesmo de conhecer Nietzsche, que um amigo meu já lia aos 19 anos! Se entendia, eu não sei, mas, vamos e venhamos, é considerável pelo menos o interesse, né? O mais fundo que eu ia na cultura, nessa época, era Machado de Assis, acho. Literatura, apenas. Pela filosofia, ainda hoje nunca me aventurei... Não me acho investigativa o bastante, mas todo mundo muda. Quem sabe?
Uma coisa legal desse exemplar que li é que foi emprestado da minha comadre, e ela fez várias anotações às margens do livro. É interessante ler um livro anotado, porque você vê que o que chama atenção dos outros nem sempre - ou quase nunca - é o que chama a sua.
Mas anotar nos livros é uma coisa que nunca fiz. Acho que tenho pena de marcá-los, mas também imagino que, se o fizer, vou interferir na leitura do próximo que o tiver nas mãos, porque sou fatalmente atraída pelas marcas que outro fez. Será que isso é bom? Ainda não consigo definir uma posição. Às vezes ajuda a leitura alheia, às vezes limita... Talvez dependa mesmo do livro, não sei bem.
De qualquer modo, quando escrevo ou falo das minhas impressões, não acabo fazendo isso? Só não as deixo lá, no próprio objeto, mas de alguma maneira não influenciamos alguém quando falamos do que lemos ou vemos ou ouvimos?
Nenhuma leitura é, afinal, isenta da interferência dos outros.
Todo mundo falou tanto sobre esse livro, e o filme fez tanto sucesso, que fiquei curiosa. Embora, normalmente, eu seja meio reticente quanto a best-sellers. Mas gostei do livro.
Pelas informações históricas que aparecem no final, até que o autor criou um romance interessante, bem verossímel.
Claro que, pelo pouco que eu sei, nenhuma análise faria tanto efeito em um tempo tão curto, mas no contexto faz sentido e, de qualquer modo, serve ao fim a que se pretende o autor, se não me engano, que é criar uma possível história da invenção? descoberta? desenvolvimeno? da psicanálise.
É uma ciência que já existia e só esperava que alguém a organizasse ou foi mesmo criada? Meu conhecimento é muito pequeno pra me afundar nessas dúvidas, dá até preguiça!
De volta ao livro, só fiquei meio decepcionada com a presença do Freud na história. Talvez por causa da minha ignorância, eu achei que ele teria uma participação bem mais ativa na coisa toda... Enfim, um dia, talvez, eu estude mais sobre isso.
Deu vontade mesmo de conhecer Nietzsche, que um amigo meu já lia aos 19 anos! Se entendia, eu não sei, mas, vamos e venhamos, é considerável pelo menos o interesse, né? O mais fundo que eu ia na cultura, nessa época, era Machado de Assis, acho. Literatura, apenas. Pela filosofia, ainda hoje nunca me aventurei... Não me acho investigativa o bastante, mas todo mundo muda. Quem sabe?
Uma coisa legal desse exemplar que li é que foi emprestado da minha comadre, e ela fez várias anotações às margens do livro. É interessante ler um livro anotado, porque você vê que o que chama atenção dos outros nem sempre - ou quase nunca - é o que chama a sua.
Mas anotar nos livros é uma coisa que nunca fiz. Acho que tenho pena de marcá-los, mas também imagino que, se o fizer, vou interferir na leitura do próximo que o tiver nas mãos, porque sou fatalmente atraída pelas marcas que outro fez. Será que isso é bom? Ainda não consigo definir uma posição. Às vezes ajuda a leitura alheia, às vezes limita... Talvez dependa mesmo do livro, não sei bem.
De qualquer modo, quando escrevo ou falo das minhas impressões, não acabo fazendo isso? Só não as deixo lá, no próprio objeto, mas de alguma maneira não influenciamos alguém quando falamos do que lemos ou vemos ou ouvimos?
Nenhuma leitura é, afinal, isenta da interferência dos outros.
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
"A Casa dos Espíritos"
Terminei A Casa dos Espíritos.
Gostei muito do fechamento. Compensou qualquer pequena insatisfação durante o percurso.
Adorei a percepção da Alba sobre o ciclo das vidas, sobre não ser possível compreender todos os fatos com base numa única existência, pois alguns têm início nas gerações anteriores e vão se concluir nas futuras.
Adorei ela compreender que deve quebrar o ciclo de ódio e rancor, para que talvez seu neto não sinta desesperada necessidade de violar uma neta do coronel Garcia.
Que final incrível, que bela maneira de fechar essa história, sem fechá-la nunca.
Por isso, creio, é um livro tão querido.
Também entra para a minha lista de livros queridos, só pelo modo como termina.
Adorei a neta amar seu avô a despeito de todas as discordâncias e de todas as arbitrariedades que ele cometeu em toda a sua vida. A despeito de, friamente, ele ser o tipo de homem a quem ela desprezaria, ponto final.
Adorei que um livro nos mostre, mais uma vez, que se pode gostar de alguém e até amá-lo - talvez principalmente amá-lo - mesmo que não se concorde com ele em nada.
Adoro quando uma leitura me faz refletir tanto sobre mim mesma.
Terminá-lo com o show do Caetano Veloso ainda na mente foi muito significativo.
Será que nosso inconsciente busca esses conteúdos com intenção???
'Tou adorando essas perguntas todas!
Gostei muito do fechamento. Compensou qualquer pequena insatisfação durante o percurso.
Adorei a percepção da Alba sobre o ciclo das vidas, sobre não ser possível compreender todos os fatos com base numa única existência, pois alguns têm início nas gerações anteriores e vão se concluir nas futuras.
Adorei ela compreender que deve quebrar o ciclo de ódio e rancor, para que talvez seu neto não sinta desesperada necessidade de violar uma neta do coronel Garcia.
Que final incrível, que bela maneira de fechar essa história, sem fechá-la nunca.
Por isso, creio, é um livro tão querido.
Também entra para a minha lista de livros queridos, só pelo modo como termina.
Adorei a neta amar seu avô a despeito de todas as discordâncias e de todas as arbitrariedades que ele cometeu em toda a sua vida. A despeito de, friamente, ele ser o tipo de homem a quem ela desprezaria, ponto final.
Adorei que um livro nos mostre, mais uma vez, que se pode gostar de alguém e até amá-lo - talvez principalmente amá-lo - mesmo que não se concorde com ele em nada.
Adoro quando uma leitura me faz refletir tanto sobre mim mesma.
Terminá-lo com o show do Caetano Veloso ainda na mente foi muito significativo.
Será que nosso inconsciente busca esses conteúdos com intenção???
'Tou adorando essas perguntas todas!
Terça-feira, 19 de Maio de 2009
Caetano Veloso em Brasília
Sábado passado a Nessa e eu fomos ver o Caetano Veloso no Centro de Convenções de Brasília.
Esse show deu muito o que pensar.
Não pelo show em si, mas ele neste meu momento.
Caetano foi meu ídolo de adolescência.
Minhas irmãs, minha amiga Marilene e eu, e, mais posteriormente, também a Rita, víamos tudo o que saía sobre ele, assistíamos a todos os shows (quando tínhamos grana, claro), de preferência na primeira fila, na mesa central, tínhamos e sabíamos todos os discos de cor.
Vimos o filme dele, Cinema Falado, na pré-estreia, em que o próprio Caetano estava presente. Nessa ocasião, conseguimos o feito de dar-lhe um beijo na bochecha e fazer uma foto ao seu lado.
Enfim, éramos fãs mesmo, de carteirinha.
Tietagens à parte, eu realmente gostava de suas músicas. Nem de todas, claro, porque dificilmente um artista agrada por completo, mas gostava muito de muitas, e algumas considerava obras-primas.
Considero, aliás, ainda hoje.
Mas de uns anos pra cá fui me distanciando dele. No tempo em que ficou amargo demais por causa, acho, do fim de seu segundo casamento, eu comecei a não curtir muito os discos.
Acabou que não conheço a maior parte de sua obra recente - de uns 10 anos pra cá, talvez.
Apesar disso, quando ouvi Sem Cais no rádio do carro, me deu aquela vontade bem forte de rever o Caetano. Senti nascer um carinho novo por meu ídolo de tantos anos.
Por isso convenci minha "rimã gênia", sem a qual não ia ter a mesma graça esse reencontro.
Quer saber? Amei ter ido. Não conhecia um bocado de músicas, porque não conhecia o disco novo, mas gostei muito de algumas delas, não gostei de outras, e amei as que eu já conhecia: só pérolas: Maria Bethania, Trem das Cores, Incompatibilidade de Gênios, Eu sou Neguinha?, Irene.
Mas o melhor foi reencontrar mesmo o Caetano: deu vontade de comprar esses discos que deixei pra trás. Fiquei com pena de não ter acompanhado o Obra em Progresso, simplesmente por não saber dele. Imagina essa possibilidade naqueles outros tempos! Por que será que me distanciei assim?
Tenho me feito muitas perguntas aparentemente bobas como essa, e esse show trouxe várias.
Questionamentos sobre a passagem do tempo, sobre o correr da minha vida e das minhas idades, sobre o correr da vida dos outros.
Mesmo que eu ainda não esteja velha, sei que envelheço a cada dia. Agora percebo isso com cada vez mais nitidez, porque é um processo da natureza: "o tempo não para e, no entanto, ele nunca envelhece." Nós é que envelhecemos, mas nosso espírito envelhece? Ou apenas engrandece?
Ai, que maluquices me trouxeram um show de música popular e um livro latino-americano!
Porque concluir A Casa dos Espíritos também trouxe muitas reflexões.
Talvez eu é que esteja aberta a elas, e tudo o que passa por mim as suscita.
Também é algo em que pensar.
Esse show deu muito o que pensar.
Não pelo show em si, mas ele neste meu momento.
Caetano foi meu ídolo de adolescência.
Minhas irmãs, minha amiga Marilene e eu, e, mais posteriormente, também a Rita, víamos tudo o que saía sobre ele, assistíamos a todos os shows (quando tínhamos grana, claro), de preferência na primeira fila, na mesa central, tínhamos e sabíamos todos os discos de cor.
Vimos o filme dele, Cinema Falado, na pré-estreia, em que o próprio Caetano estava presente. Nessa ocasião, conseguimos o feito de dar-lhe um beijo na bochecha e fazer uma foto ao seu lado.
Enfim, éramos fãs mesmo, de carteirinha.
Tietagens à parte, eu realmente gostava de suas músicas. Nem de todas, claro, porque dificilmente um artista agrada por completo, mas gostava muito de muitas, e algumas considerava obras-primas.
Considero, aliás, ainda hoje.
Mas de uns anos pra cá fui me distanciando dele. No tempo em que ficou amargo demais por causa, acho, do fim de seu segundo casamento, eu comecei a não curtir muito os discos.
Acabou que não conheço a maior parte de sua obra recente - de uns 10 anos pra cá, talvez.
Apesar disso, quando ouvi Sem Cais no rádio do carro, me deu aquela vontade bem forte de rever o Caetano. Senti nascer um carinho novo por meu ídolo de tantos anos.
Por isso convenci minha "rimã gênia", sem a qual não ia ter a mesma graça esse reencontro.
Quer saber? Amei ter ido. Não conhecia um bocado de músicas, porque não conhecia o disco novo, mas gostei muito de algumas delas, não gostei de outras, e amei as que eu já conhecia: só pérolas: Maria Bethania, Trem das Cores, Incompatibilidade de Gênios, Eu sou Neguinha?, Irene.
Mas o melhor foi reencontrar mesmo o Caetano: deu vontade de comprar esses discos que deixei pra trás. Fiquei com pena de não ter acompanhado o Obra em Progresso, simplesmente por não saber dele. Imagina essa possibilidade naqueles outros tempos! Por que será que me distanciei assim?
Tenho me feito muitas perguntas aparentemente bobas como essa, e esse show trouxe várias.
Questionamentos sobre a passagem do tempo, sobre o correr da minha vida e das minhas idades, sobre o correr da vida dos outros.
Mesmo que eu ainda não esteja velha, sei que envelheço a cada dia. Agora percebo isso com cada vez mais nitidez, porque é um processo da natureza: "o tempo não para e, no entanto, ele nunca envelhece." Nós é que envelhecemos, mas nosso espírito envelhece? Ou apenas engrandece?
Ai, que maluquices me trouxeram um show de música popular e um livro latino-americano!
Porque concluir A Casa dos Espíritos também trouxe muitas reflexões.
Talvez eu é que esteja aberta a elas, e tudo o que passa por mim as suscita.
Também é algo em que pensar.
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